sábado, 24 de setembro de 2011

Entrevista do Presidente do L.G.C. Manuel Porta ao Jornal "Registo"


O Lusitano de Évora, um dos históricos clubes do Alentejo, que nos anos 50 e 60 permaneceu 14 épocas na primeira Divisão, atravessa uma crise sem precedentes ao ponto de este ano ter suspendido o futebol sénior.
A cerca de dois meses de completar 100 anos de existência, o Lusitano está com uma dividida 800 mil euros e, como se não bastasse, não possui património. “Fruto da gestão das duas direcções anteriores o Lusitano não tem neste momento nem dinheiro nem património” esclarece Manuel Porta, presidente da direcção dos verde-e-brancos. Segundo Manuel Porta, a situação do clube é muito grave. “O Campo Estrela, onde a grande história do nosso clube foi sendo escrita ao longo dos anos, já não é nosso e o Campo da Silveirinha pertence a uma sociedade que é a Evoraurbe”. Recorde-se que o Campo da Silveirinha foi construído por ocasião do está- gio de preparação da Selecção Nacional antes do Mundial da Alemanha, entrando o Campo Estrela como contrapartida para um negócio imobiliário.

Manuel Porta vê-se agora a braços com uma divida de quase um milhão de euros e a poucos dias de celebrar o centenário o Lusitano corre o sério risco de desaparecer do espectro desportivo.
“Não sou céptico ao ponto de dizer que o futuro passa pelo fechar de portas, mas é bom que os sócios tenham a noção de que a situação é muito grave”, acrescenta Manuel Porta.
“Nós pedimos a colaboração a especialistas de gestão que nos apontassem o caminho certo e enquanto não tivermos na nossa posse o resultado desse estudo não poderemos chegar a nenhuma conclusão. Gostava, no entanto, de no dia 11 de Novembro apresentar alguma solução aos sócios”, refere o dirigente.

O Lusitano Ginásio Clube terminou a época passada no segundo lugar da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Évora, contudo esta época “não foi possível encontrar orçamento e decidimos suspender este escalão”, o que acontece pela primeira vez em 99 anos.
Com cerca de 2800 sócios, dos quais apenas 900 pagam habitualmente as quotas, o Lusitano tem aproximadamente 200 atletas em diversos escalões de formação.
A Escola de Futebol do clube desenvolve toda actividade de uma forma autónoma na Herdade da Silveirinha, enquanto que os restantes escalões treinam e jogam no Campo Estrela. “É uma forma de tentar cativar novamente os associados”, diz, esperançado, Manuel Porta.

A pouco dias de completar cem anos de  existência, o Lusitano de Évora está à  beira desaparecer do espectro desportivo nacional, mergulhado em dívidas  e o primeiro reflexo desta situação é  a ausência do clube das competições  sénior.

Fundado a 11 de Novembro de 1911,  já participou em todas as provas do  futebol português, sendo de destacar as  catorze épocas consecutivas no Campeonato Nacional da 1ª Divisão nos  anos 50 e primeira metade da década  seguinte onde alcançou um quinto  lugar, bem como uma presença nas  meias-finais da Taça de Portugal, entre  outras classificações.

O cenário de glória deu agora lugar à  tristeza e ao desapontamento. “É triste  recordar a nossa presença na 1ª Divisão  e ver o clube à beira do precipício”, diz  Carlos Falé, um dos jogadores que disputou o escalão maior do futebol luso  com a camisola do Lusitano. Este defesa-central, agora com 78  anos, não tem dúvidas em afirmar  que o clube “tem os dias contados. Já  foi um grande clube e agora é o que se  sabe. A presença da Selecção Nacional  em Évora deu cabo do Lusitano devido  aos negócios que se fizeram”, afirma o  antigo jogador.

Sempre disponível em colaborar com  os dirigentes do clube, Falé acredita  que com o regresso dos escalões de futebol ao Campo Estrela fará com que os  adeptos e os simpatizantes voltem ao  clube. “Se tal não suceder então o clube  acaba aos 100 anos”, significando uma  grande perda para o desporto local e  para o património histórico da cidade e  da região.

Depois dos anos onde um grupo de  empresários se mostrou disponível a  levantar o clube até aos escalões superiores, que levou inclusive à presença  nos órgãos directivos de João Manuel  Nabeiro, filho do Comendador Rui Nabeiro e presidente da Delta Cafés - após  a experiência do Campomaiorense  na 1ª Divisão - as tentativas de trazer  o “velho Lusitano” de volta foram-se esvanecendo, chegando à situação crítica  em que hoje se encontra - sem uma luz  ao fundo do túnel.

Jornal Registo
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